Morre Oscar Schmidt, lenda do basquete, aos 68 anos
Maior cestinha da história das Olimpíadas, ex-jogador brasileiro morreu após internação em São Paulo. Ele lutava contra sequelas de câncer no cérebro.
Oscar enfrenta o Dream Team dos Estados Unidos na Olimpíada de Barcelona-1992 — Foto: Aníbal Philot O esporte mundial perdeu nesta sexta-feira, 17, um de seus maiores ícones. Oscar Daniel Bezerra Schmidt, o lendário "Mão Santa" do basquete, morreu aos 68 anos em São Paulo, após ser internado às pressas por um mal-estar. O ex-jogador se recuperava de uma cirurgia recente e lutava contra as sequelas de um câncer no cérebro diagnosticado em 2011.
Trajetória de um campeão
Nascido em Natal (RN), em 16 de fevereiro de 1958, Oscar era filho de militar e começou no futebol. A migração para o basquete ocorreu aos 13 anos, após a mudança da família para Brasília. O talento precoce o levou ao Palmeiras aos 16 anos e, em 1977, já integrava a Seleção Brasileira principal, conquistando o título sul-americano.
A projeção internacional veio em 1979, com o título mundial interclubes pelo Sírio. O desempenho abriu as portas da Europa, onde jogou por 11 temporadas na Itália, marcando quase 14 mil pontos. Na Espanha, sua técnica inspirou o livro "Jugar como Oscar".
Recordes históricos
O "Mão Santa" encerrou a carreira com 49.737 pontos, marca que o manteve no topo mundial por décadas. Em 2024, LeBron James assumiu o posto de maior cestinha da história ao superar os 50 mil pontos. Ainda assim, Oscar permanece como recordista isolado das Olimpíadas, com 1.093 pontos em cinco participações consecutivas (1980-1996).
Em Seul 1988, atingiu o ápice ao marcar 338 pontos em uma única edição, incluindo o recorde de 55 pontos em uma partida contra a Espanha.
A recusa à NBA e o amor pela Seleção
Em 1984, Oscar tomou a decisão mais emblemática de sua carreira: recusou o New Jersey Nets para manter o status de amador, exigência da época para defender a Seleção Brasileira. A escolha permitiu que liderasse o Brasil na histórica vitória sobre os Estados Unidos no Pan-Americano de 1987, em Indianápolis.
Luta contra o câncer
Após a aposentadoria em 2003, Oscar se reinventou como palestrante motivacional. Enfrentou o câncer com a mesma disciplina dos treinos e chegou a anunciar a cura em 2022, mas sua saúde voltou a apresentar fragilidades.
Na semana passada, não pôde comparecer à homenagem no Hall da Fama do Comitê Olímpico Brasileiro por ordens médicas. O reconhecimento foi recebido por seu filho, Felipe Schmidt: "Estar aqui para receber essa homenagem é o último capítulo de uma carreira cheia de vitórias."
Em 2013, Oscar foi indicado ao Naismith Memorial Basketball Hall of Fame, mesmo sem nunca ter jogado na NBA. Seu legado no basquete brasileiro e mundial permanece vivo, marcado por recordes imbatíveis e pela devoção à camisa verde e amarela.





COMENTÁRIOS